FEITO DE BARRO




Na folha inata 

O poeta retrata 
A sua solidão; 
Caneta à mão 
E um olhar profundo 
Olhando o mundo 
De vida renhida 
Como se olhasse 
Uma grande ferida! 

Olhando o mundo, 
O mundo bizarro, 
Ele expressa a dor 
De ser feito de barro. 
Ah se o poeta 
Fosse feito de cobre! 
Seria mais rico 
Ou seria mais pobre? 
Seria condutor 
Do mais puro amor? 
Ou seria um entulho 
Do mais puro orgulho? 

Além do mais 
Teria mais paz?... 
Deus sabe o que faz 
O poeta é de barro 
E não volte atrás. 
De um barro tão belo 
Resistente ao calor; 
De um barro singelo 
Nas mãos do Senhor! 

Feliz do poeta
Que é feito de barro!
Humilde e pequeno
Como um simples jarro;
Mas que dentro dele
Traz toda beleza,
Traz todo esplendor...
Pois traz a essência 
De seu Criador!

ANTONIO COSTTA